Aqueles que nos tornam particulares!

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07/04/2011

Esgar.

Sem querer dei por mim numa luta incessante procurando o caminho do conforto interior.
Esgar!

Olho-me ao espelho e, a maior parte das vezes, não reconheço o perfil daquela que ali está.
Choro, vezes sem conta, aliviando desta forma a carga que luta contra os sorrisos de(a) circunstância...
Porquê? Por que é que choro? Por que é que me sinto assim?
A resposta é una - por causa dos outros. Os outros que desrespeitam os sentimentos de quem é esforçado...

Esforço-me por estar.
Esgar.

Estar ou não estar. Chorar ou não chorar. Enfim, tudo vai colidir numa só esquina: a dúvida!
A lua pode estar à minha espera, ou não. A noite, essa sim, espera por mim para me compartilhar os sonhos que de outrora traziam sorrisos com som. Só a noite testemunha o ESGAR feio, triste e decepcionado que trago em mim.

19/01/2011

18 de Janeiro...

Queridas Mardinhas:
Ontem foi um dia especial... Especial porque me fez reviver momentos saudosamente alegres, trazendo-me à memória o sabor do convívio e do carinho mútuo.

Lamento não ter feito um jantarinho, já que a "mão da Pita" ficou comigo! Porém, outros deveres me chamavam e ainda bem, pois as lágrimas que correram após a despedida tornar-se-iam bem mais pesadas no avançar da noite!

Quero que saibam que a minha casinha continua florida para vos receber, sempre e quando puderem.

Um enorme beijinho e obrigada pelos abracinhos, fizeram-me tão bem...

27/11/2010

Queria rasgar o mundo.

A estrada que rasga o dia
Queria rasgar o mundo,
depurando o inútil para o fundo, fazendo vir à tona o bem-estar.

Queria rasgar o mundo, deixando espaço aberto para o sol arejar as entranhas mais poluídas.

Queria rasgar o mundo, deixando evaporar o cheiro fétido dos mal-entendidos. Pudesse, abriria tal rasgo que deixaria um caminho aberto para que as novas sementes, ladeadas pela terra fresca, brotassem sorrisos e bem-aventuranças.

Se eu pudesse rasgar o mundo, correria na pena maior - a omnipotência gera fervor, raiva, inveja, mau-estar...
Risível se torna este desabafo, pois não posso rasgar o mundo, apenas a folha de papel, que dá voz impressa a este desabafo!

08/08/2010

Versões de verão!

Versão 1
- Ó pá, olha o  menino um bocadinho, quero ir ao banho...
- %"##"! Agora?! Não vês que 'tou a ler a Bola?
- É sempre a mesma ##!". Quero um tempinho para mim e nunca posso. Não entendo mesmo esta cena, pá.
- Irra pás mulheres...um gajo já nem pode estar aqui a ler umas m3rd4s... Olha, môr, manda vir aqui o bacano das borlas de berlim e depois podes ir ao banho, que eu olho pelo menino! Põe-me só um bocado de protector, já 'tou cas costas a arder.
- ...

Versão 2
- Meninos, vou ao banho com o pai, ficam aqui com a Amelinha um bocadinho!
- Querida, mas vai molhar o cabelo? Ainda há pouco chegou da Cabeleireira...
- Não, querido, sabe que só me vou molhar e dar dois dedos de conversa com a Maria Helena. Hoje ainda não combinámos a hora da canasta em casa da Maria de Mondim.
- Vai jogar hoje?
- Não lhe apetece?
- Por caso não, preferiria ver o Sporting a casa dos Simões!
- Faremos as duas coisas, então. Deixe-me agora ir ver das crianças, está na hora das bolinhas de berlim...

Versão 3
- Mãeee, Paiii?! Vamos ao banho?
- O último a chegar põe a mesa ao jantar!
- Vamoooooooooooos!
- Pai, agarra-me ao colo como se ainda fosse bebé...
- Mafalda, para nós, serás sempre bebé...percebes? E o teu irmão idem! Só estão um bocadinho mais pesados, teimosos e autónomos, de resto...
-...pai, vamos jogar aos salva-vidas? Eu sou o comandante, posso?
- Podes, claro! Vamos lá aproveitar e nadamos um bocadinho. Olha a mãe e a Mafalda já vão para cima!
- São umas fraquitas! Ou então já vão comer bolinhas de berlim!

11/07/2010

5 anos...

Faz hoje 5 anos que me despedi de alguém que amava: a minha mãe. Recordo-me da manhã, em S. Martinho do Porto, em que a minha mãe, deitada na cama, olhando a janela (para além do que estava e se via) me falava dos seus sonhos: ter outra vez o cabelinho grande e bonito, passear descalça na praia ao fim do dia; receber os filhos ao Domingo e ter a casa a cheirar a comidinha...enfim, pequenos sonhos que, naquele momento, eram a sua razão para ter mais  alguns minutos de dia... Falava-me, também, do barulho das crianças que vinha da praia, um barulho que agora associo a esse momento sempre que o ouço. Felizes dos que ainda podem abraçar as suas mães. Essa é a minha maior tristeza, o facto de não a poder abraçar, como tantas vezes o faziamos, como tantas e tantas vezes o desejo ainda.

Hoje fui colocar umas flores no seu local, naquele que nos impõe uma visão menos agradável da perda. O simbolismo das minhas flores prende-se com um ritual - recolher (ou melhor, roubar!) durante o ano florinhas que vou secando, para mais tarde  as agrupar num molhinho onde cada uma das flores tem um desejo por pedir...

O facto de estar aqui a escrever exige que eu não me isole a chorar, em vez disso, procuro "espairecer" e partilhar com os meus leitores virtuais uma coisa: um abraço faz milagres...

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